Um dos fatores que prejudica a recuperação do membro superior parético é o “uso não aprendido” que o indivíduo pode apresentar já na fase aguda do AVE, o que leva à não utilização do membro superior acometido, devido à fraqueza e outras seqüelas neurológicas, “mascarando” alguma habilidade preservada deste membro, ou seja, o termo “não aprendido” é empregado para explicar o aprendizado errado que o cérebro faz pela ausência ou diminuição dos movimentos do braço afetado associado ao uso compensatório do braço não acometido, o que pode ocasionar perdas irreversíveis na capacidade funcional.
A Constraint-induced movement therapy(CIMT) ou Terapia de Contensão Induzida, é uma técnica que ajuda pacientes com lesões hemisféricas no sistema nervoso central a superar o “não uso aprendido”, desencorajando o uso do braço não afetado com um intensivo treinamento do braço comprometido.
Foi desenvolvida na Universidade do Alabama por Edward Taub onde suas primeiras pesquisas foram através de treinamento do uso forçado do membro superior afetado com restrição do membro contralateral após deaferentação somatosensorial em um antebraço de um macaco.
A técnica envolve treinamento intensivo, repetitivo e orientado do braço através de tarefas adaptadas, que são cronometradas e graduadas conforme a capacidade motora do paciente, além de práticas de tarefas gerais para possibilitar o uso do braço afetado nas atividades funcionais.
Na fase aguda, o protocolo consiste na contensão do braço sadio com uma luva (em caso de adultos) ou gesso (em caso de crianças) por seis horas diárias, por duas semanas, além de treinamento do braço afetado por 3 horas diárias por 10 dias semanais consecutivos, enquanto que nos pacientes crônicos, o treinamento diário aumenta em meia hora e o uso da restrição deve ser por 90% das horas acordadas, por 2 semanas.
Existem vários critérios para aplicação do método, entre eles colaboração, compreensão e comprometimento do paciente e família, além de pré requisitos motores mínimos, os quais o terapeuta ocupacional identificará na primeira avaliação.
A aplicação do método resulta em recuperação funcional importante, evidenciado pela melhora da qualidade e velocidade do movimento do braço acometido.
A técnica também tem sido largamente utilizada com crianças com Paralisia Cerebral (hemiparéticos espásticos) e há vários artigos, dissertações e teses comprovando sua eficácia.








0 comentários:
Postar um comentário
Deixe aqui seu elogio, dúvida, opinião ou crítica. E volte sempre!! Abraços
Álida Andrade